DSTs: doenças que assustam o Brasil

Aumento de casos não é apenas uma questão de saúde pública, mas de falta de prevenção de homens e mulheres

Por O Dia

De janeiro a junho deste ano foram 6.251 ocorrências de sífilis adquirida e 3.838 de sífilis em gestantes, além de 1.265 registros de Aids e 250 de hepatite B
De janeiro a junho deste ano foram 6.251 ocorrências de sífilis adquirida e 3.838 de sífilis em gestantes, além de 1.265 registros de Aids e 250 de hepatite B -

Os números de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST) no Brasil são assustadores. De janeiro a junho deste ano foram 6.251 ocorrências de sífilis adquirida e 3.838 de sífilis em gestantes, além de 1.265 registros de Aids e 250 de hepatite B. Tamanha incidência, é claro, acende o sinal de alerta para homens e mulheres, que devem ter em mente que a prevenção é a única maneira de se proteger.   

Para o coordenador nacional do projeto 'Sífilis Não', da Universidade Federal do Rio Grande Norte (UFRN), e vice-diretor do laboratório multidisciplinar de formação humana da Universidade Estadual do Rio (Uerj), Carlos Alberto de Oliveira, o aumento de casos de DSTs não é apenas uma questão de saúde pública.

"É uma questão de conscientização. É buscar entender que as práticas sexuais são livres, mas trazem consequências para sua vida, para a vida das pessoas que você ama e com que você se relaciona. É muito importante se prevenir", explica o coordenador. Ele acrescenta que a única forma de prevenção é com o uso de preservativos durante a relação sexual.

Doença infectocontagiosa sexualmente transmissível, a sífilis apresenta três fases distintas — primária, secundária e terciária —, com sintomas específicos em cada uma delas. A primeira ocorre assim que há a infecção pela bactéria Treponema pallidum, com feridas no local da infecção, normalmente na região genital.

Já na segunda fase, os sintomas aparecem após duas a oito semanas das primeiras feridas terem surgido. E o paciente pode apresentar vermelhidão pelo corpo, coceira, íngua (gânglios inchados) nas axilas e pescoço. A terceira etapa é de difícil detecção, já que sintomas aparecem em grandes vasos (na aorta, por exemplo), cérebro, olhos, coração e juntas.

Segundo Carlos Alberto de Oliveira, a sífilis pode ser tratada com antibióticos, especialmente penicilina, e o tratamento deve ser acompanhado com exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença. Recomenda-se ainda que tratamento seja estendido aos parceiros sexuais. "A penicilina cura, mas não é vacina, e você pode se recontaminar. Se você não mudar seus hábitos, corre o risco de ter sífilis de novo", adverte.

A Aids é outra DST que cresce no Brasil. Sem cura, só pode ser evitada com preservativos nas relações sexuais e não compartilhando seringas e agulhas. A doença deve ser tratada assim que for detectada pelos testes rápidos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), feito nas unidades de atenção primária da rede de saúde pública, para minimizar os danos. 

"Os casos da doença são só a ponta do iceberg, o que está escondido são as pessoas que não se testam e não se tratam. As ISTs precisam estar nas agendas dos governos. Se você não trabalho isso, a questão fica camuflada e só vai ser lembrada quando acontecer", afirma Oliveira. 

 

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