João Pedro Roriz: Pai é amor

Uma das histórias mais bonitas sobre pai e filho aconteceu na Inglaterra no século XIX...

Por O Dia

João Pedro Roriz
João Pedro Roriz -
Rio - Uma das histórias mais bonitas sobre pai e filho aconteceu na Inglaterra no século XIX. O astrônomo William Herschell (1738 – 1822) desenvolveu projetos de pesquisa sobre a luz e fez descobertas valiosas, entre elas a radiação infravermelha, que possibilitou os cientistas ampliarem os limites da visão humana e estudarem áreas desconhecidas do universo.

William era muito dedicado a seu filho Jhon. Desde cedo, o ensinou a valorizar o conhecimento. William lhe falou diversas vezes sobre a riqueza imaterial. O conhecimento seria algo tão valoroso quanto o ouro e o petróleo. Jhon aprendeu com o pai que a luz viaja a trezentos mil quilômetros por segundo, quase a distância entre a Terra e a lua, isso significa que quando olhamos a lua, não estamos vendo o satélite e sim a sua luz refletida no espaço. A lua está a um segundo-luz da Terra. Portanto, toda vez que olhamos para a lua, vemos algo que aconteceu um segundo atrás. Certas estrelas estão tão longe, que sua luz demorou bilhares de anos para atravessar o universo e chegar a Terra. Algumas dessas estrelas nem existem mais. Ou seja, em muitos casos, ao olhar as estrelas, vemos a luz de corpos celestes que já morreram.

A história sobre o passado contada por William deixou Jhon encantado. As estrelas podem morrer, mas seus fantasmas continuam nos iluminando durante milênios. É uma informação pertinente, pois causa uma reflexão filosófica. William foi como um sol para seu filho Jhon, mesmo depois de morto. Jhon Herschel se tornou matemático e astrônomo. Superou o pai e ganhou duas vezes a Medalha Copley. Suas pesquisas contribuíram ainda com uma ciência que nos ajuda a guardar o passado através da luz. Heliografia, mais conhecida como fotografia.

Todo pai é como o sol. Os filhos são como satélites naturais que, durante toda a vida, se alimenta de sua luz. Saiba: a força que os une é o amor. O amor é capaz de formar um laço, um vínculo, que desafia o tempo e até mesmo a morte. Essa é, portanto, a maior lição: nossos pais podem até se extinguir no espaço, mas sua luz nunca deixará de brilhar em nossas ações, em nossa memória, e em nossos corações. 
João Pedro Roriz é autor do livro “Como Educar Seu Pai”

Comentários