Dirigente admite que faltou 'olhar humano' com famílias, mas garante que o 'Flamengo acordou'

Segundo ele, nas últimas semanas, aconteceu uma reaproximação com o clube

Por Lance

Rodrigo Dunshee de Abranches
Rodrigo Dunshee de Abranches -
Rio - Representando o Flamengo na ausência do presidente Rodolfo Landim, o vice-presidente geral e jurídico Rodrigo Dunshee afirmou, em sessão da CPI dos Incêndios nesta sexta-feira, na Alerj, que faltou ao clube o "olhar humano" na relação com as famílias das 10 vítimas do incêndio que atingiu o CT Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019, mas que a diretoria "acordou" para a questão.

De acordo com Dunshee, as críticas à direção e, principalmente, as declarações de familiares que citaram a ausência de contato com o clube, serviram para o Flamengo "abrir os olhos" para a questão. Uma comissão já foi formada na última semana, com a participação de Maurício Gomes Mattos (VP de Embaixadas e Consulados), Walter D'Agostino (VP de Responsabilidade Social e Ambiental) e Vitor Zanelli (VP Departamento de Futebol de Base) para pensar em ações e reaproximar-se das famílias das 10 vítimas do incêndio no Ninho.

"Quando aconteceu, Landim nos chamou a todos e disse: prioridade são as famílias. O que queremos melhorar, é que com o tempo os contatos foram diminuindo. Os contatos psicológicos se resumiram a quatro famílias hoje em dia. Próximo de completar um ano, nos chegou que vários familiares falaram que o Flamengo não estava mais presente, procurei saber com quem trabalha em cima disso. Quando soubemos disso, nos reunimos e formamos uma comissão, com o VP de embaixadas, da Base e Relacionamento Social, para estar mais presente com as famílias.Independente da parte indenizatória, é o lado humano. Faltou ao Flamengo esse olhar. Quando nos chegou isso, nós acordamos, não queremos botar valor no filho se ninguém, mas podemos conciliar as coisas. Quando isso acontecer vai melhorar muito", disse Dunshee.

Esta foi a segunda sessão da CPI dos Incêndios em que membros da atual gestão e ex-dirigentes do Flamengo foram ouvidos pelos deputados Alexandre Knoploch (PSL), Rodrigo Amorim (PSL) e Jorge Felippe Neto (PSD). Diante deste cenário, Rodrigo Dunshee foi o primeiro a se manifestar neste sentido, assumindo que o clube falhou com os familiares ao longo do último ano.

A atitude de Dunshee, que se dirigiu às famílias presentes (os pais de Bernado Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo e Pablo Henrique estiveram na sessão), foi elogiada pelos deputados. Por outro lado, a ausência de Rodolfo Landim foi alvo de críticas - dos parlamentares, dos advogados e das famílias.

Darley Pisetta, pai de Bernardo, Cristiano Esmério, pai de Christian, Wedson Cândido e Sarah Cristina, pais de Pablo Henrique, e Alba Valéria e Wanderlei Dias, pais de Jorge Eduardo, acompanharam toda a sessão na Alerj e tiveram discursos parecidos, questionando a ausência do presidente Rodolfo Landim.

"Por que ele (Landim) nunca vem nas entrevistas? Não foi naquele hotel lá no Rio? Uma vez que passou e foi embora. Acha que a gente só quer... Não quer dinheiro não, dinheiro queria para gastar com nossos filhos", indagou Alba.

"Fiquei sabendo da morte do meu filho pela imprensa. Ninguém do Flamengo me ligou. Meu filho não tem preço. Esperei por ele por quarenta anos e vivi com ele catorze", afirmou Wedson Cândio, pai do zagueiro Pablo Henrique.

"Por que o presidente Landim não está aqui? Falta humildade para dizer nós erramos, vamos consertar. Tomara que isso aconteça. E façam o simples. Se fosse feito o simples desde o início, já estaria resolvido. Não estaríamos aqui", afirmou o Darley Pisetta, pai de Bernardo, que emocionou-se durante a sessão.

Darley ainda admitiu que, nas últimas semanas, aconteceu uma reaproximação com o clube, partindo de suaa própria iniciativa. Ao entrar em contato com Rodrigo Dunshee, foi respondido e agradeceu ao vice do Flamengo nesta sexta.
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