Candidatos reagem à carta de FHC e criticam ex-presidente

Ciro, Boulos e Marina criticam carta publicada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta quinta-feira; PSDB se movimenta em favor de Alckmin

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP)
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) -

São Paulo - Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) reagiram à carta publicada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta quinta-feira, onde o tucano defende união contra extremos.

De acordo com Ciro, o ex-presidente "é um dos responsáveis pela situação em que o País se encontra". O pedetista negou ainda que a candidatura dele seja de centro. "Eu estou ao lado dos mais pobres e dos que trabalham", disse.

Boulos também responsabilizou FHC pela atual situação política do país: "Nós precisamos evitar o fascismo, evitar o ódio e evitar a política de intolerância. Tem gente que é corresponsável por isso. Tem gente que ajudou a fazer com que um cidadão como Bolsonaro e a sua candidatura de ódio crescesse. O PSDB e o FHC são corresponsáveis por isso", afirmou, na chegada do debate de emissoras católicas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Marina alfinetou o tucano ao ser questionada sobre sua opinião acerca da carta. "É legítimo que o ex-presidente se coloque, ainda mais quando seu próprio partido vive a mesma dificuldade do partido que hoje já tem um dos seus líderes presos", afirmou, nesta sexta-feira, 21, após encontro com ambientalistas, no bairro Consolação (SP). 

A candidata afirmou também que "fazer um discurso para que haja uma união e dizer que o figurino cabe no candidato do seu partido talvez não seja a melhor forma de falar em nome do Brasil", em referência ao texto de FHC, e emendou: "Não podemos, em nome das pesquisas, impor à sociedade brasileira que este é apenas um plebiscito entre o azul e o vermelho".

Já Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, afirmou que não vê problema em a carta não citá-lo nominalmente como uma das opções do centro político.

"A carta não é para personalizar ninguém. É para evitar os extremos", afirmou, após o debate das emissoras católicas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Em carta divulgada nas redes sociais, FHC defende união contra extremos

Em carta divulgada nas redes sociais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu uma união de candidatos à Presidência contra aqueles que apostam em "soluções extremas". Para o tucano, a convergência deveria se dar em torno de quem apresentar mais chance de ganhar a eleição. Após publicar o documento, FHC apontou para o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). "Enviei carta aos eleitores pedindo sensatez e aliança dos candidatos não radicais. Quem veste o figurino é o Alckmin, só que não se convida para um encontro dizendo 'só com este eu falo'", escreveu FHC em sua conta no Twitter.

No documento, apresentado como uma "carta aos eleitores e eleitoras", Fernando Henrique Cardoso classificou as candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) como "polos da radicalização atual" que dificilmente teriam condições de tirar o País da crise. "A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos", escreveu o ex-presidente.

O tucano afirmou que ainda há tempo para deter a "a marcha da insensatez". "Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis."

Defendendo uma convergência de candidatos contra extremos, e sem citar o nome de Alckmin, FHC pregou a escolha de uma liderança "serena" e honesta que tenha experiência e capacidade para pacificar e governar o País. "Sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar."

Para o ex-presidente, os candidatos devem se comprometer com uma reforma da Previdência que elimine privilégios e assegure o ajuste fiscal estabelecendo uma idade mínima para aposentadoria. O tucano disse que, se não houver uma reversão do quadro fiscal, o Brasil mergulhará em uma crise econômica ainda pior.

"Ou os homens públicos em geral e os candidatos em particular dizem a verdade e mostram a insensatez das promessas enganadoras ou, ganhe quem ganhar, o pião continuará a girar sem sair do lugar, sobre um terreno que está afundando", afirmou o ex-presidente, ao defender a proposta.

Aos 87 anos, FHC disse que, durante sua vida, esta eleição é um dos "poucos momentos" tão decisivos para o Brasil.