Reforma do Ensino Médio: verdades e mentiras

Lei foi sancionada pelo então presidente Michel Temer, mas não passou por consulta à sociedade

Por Carolina Pavanelli

Há cerca de dois anos, o então Presidente Michel Temer sancionou a lei que flexibilizou o Novo Ensino Médio, um texto polêmico, feito por meio de medida provisória e sem nenhuma consulta à sociedade. Isso não fez, naturalmente, com que a reforma fosse amplamente aceita, mas ao menos deu mais tempo para as escolas tentarem se adaptar. Tal adaptação, no entanto, só começou efetivamente a dar os primeiros sinais de movimentação agora, em 2020, ano em que ele já deveria estar começando a ser colocado em prática. Ao mesmo entende-se que todos estejam reticentes em relação a isso, dadas a instabilidade do MEC e a complexidade das alterações. Nesse contexto, mitos e verdades são colocados na mesa como uma coisa só.

É mentira, por exemplo, que o Novo Ensino Médio aboliu disciplinas como Artes e Filosofia. Uma leitura minimamente atenta comprova que elas seguem na Base Nacional Comum Curricular como componentes obrigatórios para todos os estudantes do segmento, ao menos na Formação Geral Básica. Isto é, há uma parcela do Ensino Médio que será obrigatória a todos os estudantes, de até 18h ao longo dos 3 anos, e ela contempla todas as disciplinas ditas tradicionais. Ou seja, ninguém ficou de fora, à exceção do Espanhol, dado que a única língua estrangeira obrigatória é o Inglês. Dessa maneira, os alunos do segmento de todo o Brasil continuarão tendo uma formação completa, ao menos em termos de estrutura curricular.

Por outro lado, é verdade que, a partir da implementação efetiva da reforma, os estudantes poderão escolher parcialmente o que irão estudar. Trata-se dos itinerários formativos, de no mínimo 12 horas nos 3 anos, e eles deverão aparecer em cinco especialidades: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Técnico. Nesse sentido, um aluno que tem o objetivo de cursar Medicina, por exemplo, poderá escolher itinerários de Natureza, que o ajudarão não só a se aprofundar e se preparar para vestibulares mais especializados, mas a conhecer mais a carreira que pretende seguir. O mesmo acontece com aspirantes a advogados, podendo escolher Humanas, e engenheiros com a Matemática. Logicamente, esses são apenas alguns exemplos dentro das carreiras tradicionais mais concorridas.

A Reforma do Ensino Médio, que deve estar rodando plenamente em todas as escolas brasileiras em 2022, é extremamente complexa, pois envolve, entre outros fatores, mudança curricular e aumento de carga horária. O ideal seria que à população fossem explicadas de fato as implicações dessa reforma, pois os mitos e mentiras que se propagam só ajudam a desconfiança a se alastrar.

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