Agora até Bolsonaro admite estudar a recriação da CPMF

Presidente vai conversar com Guedes sobre a criação do imposto em substituição a outros

Por MARTHA IMENES

Presidente Bolsonaro, antes crítico ao imposto, agora está suscetível
Presidente Bolsonaro, antes crítico ao imposto, agora está suscetível -
Rio - O que antes parecia uma batata quente, o famoso "comigo não tá", a recriação da CPMF, só que com outro nome, está cada vez mais perto de se tornar um fato. Ontem chegou a vez de o presidente Jair Bolsonaro voltar atrás das promessas de campanha e admitir que vai conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a criação do imposto em substituição a outros tributos.
"Vou ouvir a opinião dele (Guedes). Se desburocratizar muita coisa, diminuir esse cipoal de impostos, essa burocracia enorme, eu estou disposto a conversar. Não pretendo, falei que não pretendo recriar a CPMF", afirmou ao deixar o Palácio da Alvorada.
A volta do imposto sobre transações financeiras, agora chamada de Contribuição sobre Pagamentos (CP), é bandeira do Secretário da Receita, Marcos Cintra. O projeto, contudo, é polêmico. Além do presidente Jair Bolsonaro ter criticado a proposta, recentemente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vem dando declarações públicas de que a CPMF não será aprovada pelos deputados. O governo pretende encaminhar em breve ao Congresso um projeto para alterar a estrutura de impostos do país.
Em evento em São Paulo com empresários e executivos, Guedes defendeu a volta de um imposto sobre transações financeiras. O ministro disse que prefere "abraçar um imposto horroroso" se, com isso, conseguir desonerar a folha de pagamento.
"É o ponto controverso da Reforma Tributária. Vamos deixar esse dilema. Querem 20% de encargos trabalhistas e 13 milhões de pessoas sem emprego? Deixa do jeito que está. Eu preferiria não ter de recorrer a isso, mas acho a oneração de folha de pagamento um crime contra brasileiros", afirmou.
Arrecadação vai a R$ 137 bi em julho
A arrecadação das receitas federais somou R$ 137,735 bilhões, em julho de 2019, informou a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Economia. O crescimento real (descontada a inflação) comparado ao mesmo mês de 2018 chegou a 2,95%. É o maior resultado para o mês desde julho de 2011 (R$ 141,801 bilhões).
Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, o resultado do mês foi influenciado por eventos atípicos.
O principal motivo foi o aumento da arrecadação de receitas extraordinárias de aproximadamente R$ 3,2 bilhões com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

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