Andrea Beltão dá vida à Hebe em série que estreia quinta-feira: "Me apaixonei por ela"

Atriz também revelou o desafio de interpretar uma pessoa tão contraditória: "Era uma mulher muito exuberante, solar, e ao mesmo tempo insegura demais".

Por Juliana Pimenta

Hebe - Andrea Beltrão
Hebe - Andrea Beltrão -

Rio - Dar vida a um ícone não é tarefa fácil. E, para Andrea Beltrão, o desafio foi duplo. Além de interpretar a rainha da TV brasileira no filme 'Hebe - A Estrela do Brasil', de 2019, a atriz também foi responsável por interpretar a apresentadora na série 'Hebe', que estreia na próxima quinta-feira, após 'Fina Estampa', na Globo.

"Vi milhares de horas de vídeos, quilômetros de fotos, ouvi centenas de vezes as mesmas músicas. Fiz muita aula de prosódia, muita aula de canto e muita aula preparação corporal. Estudei sem parar", revela a atriz, de 56 anos, que viajou no tempo com o trabalho.

"Eu via muito a Hebe com a minha avó. Eu sou nascida em 1963, então eu conheço bastante do trabalho dela e adorava ver os programas. Mas não conhecia nada da vida dela, conheci pelo roteiro e pela pesquisa. Me apaixonei muito por ela, pelo jeito dela, pelas escolhas, pelas inseguranças, falando muita besteira, errando muito, mas não tendo vergonha de errar. Uma mulher que teve uma infância pobre, foi assediada, sofreu aborto. Mas uma mulher muito interessante. Sinto, sinceramente, saudades físicas dela, de falar, dos trejeitos, do sotaque, faz tempo que eu não tinha um recaída dessas", brinca Andrea.

Polêmicas e contradições

Apesar de todo sucesso da apresentadora, não há como negar que Hebe era uma figura controversa. Andrea consegue se relacionar com esses dilemas. "Ela era muito famosa, muito conhecida e tinha essas contradições dela. Mas eu também tenho as minhas e entendo o que é ser uma pessoa contraditória. A questão é que ela se expunha muito e eu, por ser mais reservada, talvez não mostre tanto as minhas contradições", confessa a atriz que faz uma ressalva. "Tenho contradições, mas não a ponto de ser amiga do Maluf", brinca em referência ao relacionamento da apresentadora com o ex-deputado Paulo Maluf, condenado por desvio público e lavagem de dinheiro.

Mesmo assim, Andrea reforça que foram essas contradições que fizeram de Hebe uma personagem tão especial. "Hebe foi uma mulher muito exuberante, solar, e ao mesmo tempo insegura demais. Avançada e também conservadora. Com esse trabalho, tive a alegria de construir uma mulher que era mãe, filha, esposa, uma mulher careta, que tinha um marido violento, mas que queria ser livre", destaca ao falar da apresentadora, que morreu em 2012.

Desafio

Constantemente elogiando a produção, Andrea é firme ao dizer que a preparação foi recheada de desafios. "Um trabalho não é apenas divertido, mas muito cansativo, desgastante, e precisamos nos deparar com limites o tempo todo. E o que faz o trabalho ser divertido é ter um ambiente de amizade, caloroso, compreensivo e também desafiador, são as pessoas. As pessoas, sempre. E, nesse caso, num set de filmagem, os atores dão o tom. Gostaria de destacar todos os atores da série e do filme", explica a atriz que escolhe seu momento preferido como Hebe.

"O mais legal foi fazer ela mais velha. Foi muito importante para mim me ver mais velha, careca, com muitas rugas. Foi bem emocionante fazer uma personagem debilitada, com dificuldades de andar. Eu pensava como se eu tivesse experimentando, quase como um aperitivo do que virá para mim daqui a pouco", revela.

Tudo em casa

Marido de Andrea desde 1994, Maurício Frias é diretor artístico da série e diz que a produção, feita em parceira com a esposa, serve de exemplo e inspiração para os problemas vividos atualmente. "A sociedade vive um momento particular. As pessoas têm dificuldade de se entender, de debater, de escutar, e isso tudo a Hebe fazia muito bem. Ela era uma pessoa da fala e do diálogo. A imagem dela foi sendo transformada ao longo do tempo: de "rainha da gafe", como já foi chamada, à maior comunicadora do Brasil tem uma distância enorme. E ela construiu essa mudança de opinião das pessoas através do diálogo", defende o diretor.

Sonho de encontro

Por conta de toda a admiração em relação à apresentadora, Andrea imagina como seria um encontro entre as duas, caso Hebe estivesse viva nos dias de hoje. "Nós nos conhecemos. Eu estive com ela, fiquei quase sem falas. Eu era muito bobinha e arrogante. Se eu pudesse encontrá-la hoje, acho que não diria nada. Mas daria um abraço bem apertado, um beijo na boca e pediria para ela fazer campanha pela democracia. Diria: 'Hebe, ele não'", brinca atriz, fazendo crítica ao atual presidente da República Jair Bolsonaro.

 

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