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Paulo Barros: 'Laíla está velho e eu também. Hoje somos grandes amigos'

Carnavalesco tem a missão de manter a Viradouro no grupo especial

Por O Dia

Paulo Barros
Paulo Barros -

PAULO BARROS está de volta à Viradouro após dez carnavais longe da vermelha e branca de Niterói. Com o enredo 'Viraviradouro! O Livro Secreto dos Encantos', o carnavalesco promete mais uma vez surpreender o público em todos os setores do desfile. Na entrevista abaixo, tentamos arrancar dele alguns spoilers sobre o que veremos na Sapucaí, mas de nada adiantou. No entanto, como a coluna trabalha para manter o nosso leitor bem informado, a gente descobriu que Paulo Barros basicamente vai dar uma passeada em grandes contos que envolvem transformações e muita magia. O abre-alas é uma grande estante de onde bruxas retiram algumas histórias a serem contadas na Avenida. De 'Bela e a Fera' a 'Motoqueiro Fantasma', passando pelas 'Magias de Merlin', o Carnaval 2019 da Viradouro pretende fazer a nostalgia tomar conta do Sambódromo com lembranças que nos permitem acreditar de novo na fantasia capaz de recuperar a esperança de transformar nosso futuro.

Qual é a sua grande aposta para o desfile deste ano?

Eu aposto no meu conceito, na minha percepção de como tem que ser um desfile atual. Aposto nas surpresas e nos conceitos que eu gosto de trabalhar, além da própria escola. A Viradouro tem uma história dentro do grupo especial. Então, apesar de estar voltando do grupo de acesso, ela tem esse perfil de escola grande e isso é fundamental para a gente.

Mas a gente vai ver muitas mágicas e transformações no desfile da Viradouro?

A gente tem alguns efeitos, mas que as pessoas estão confundindo, achando que o enredo é sobre mágica e essas coisas relacionadas à magia, mas na verdade é um enredo que trata de um livro imaginário, chamado de 'Viraviradouro'. Ele é trazido pela nossa avó que relembra essas histórias de criança que venha renascer das cinzas, ou seja, reaver e adquirir aquela inocência que a gente perde quando deixa de ser criança. O enredo é uma mensagem para que a gente repense nossos conceitos e tente renascer, se transformando em pessoas melhores.

E o resultado do desfile do Carnaval do ano passado interferiu em algo para você fazer o desfile deste ano?

De forma nenhuma, porque o resultado independe de mim. Eu considero que fiz um grande carnaval na Vila Isabel no ano passado. A questão da colocação não me diz respeito. É uma questão de jurado. Então, o jurado é que tem que avaliar e dar a nota que ele quer. Eu considero o desfile da Vila no ano passado um dos grandes desfiles que vai ficar guardado na minha história.

Teve alguma coisa que você pensou que poderia mudar o estilo para melhorar e garantir que a Viradouro permaneça no Grupo Especial?

Não. O trajeto das escolas do grupo de acesso para o especial é apenas por conta de um gerenciamento errado, uma gestão equivocada... e a Viradouro tem a consciência disso. A Viradouro se preparou para estar no Grupo Especial. A maioria das escolas que desce e que subiu e depois desce de novo passa por isso porque não se preparou. O desfile do grupo de acesso é completamente diferente do Grupo Especial. E a Viradouro sabe disso, por isso se preparou para competir por igualdade. Não temos receio de descer.

Você mudaria algo da sua primeira passagem da Viradouro para agora?

Não vejo diferença alguma até porque encontro na Viradouro os mesmos parâmetros que deixei. A Viradouro é uma escola forte, preparada e que tem uma comunidade muito presente. Geograficamente ela está afastada. E todas as escolas que são geograficamente afastadas do Rio, elas têm uma característica própria. A comunidade da Viradouro participa muito e isso já é um ponto positivo.

E para o Carnaval 2020? Você já tem algo em mente?

Não. Eu não procuro fazer nenhum tipo de adiantamento e nem de pensar nessas coisas antecipadamente. As coisas vêm naturalmente.

A crítica política está em alta no Carnaval. Você se vê com um enredo nessa pegada?

Aí é a opção de cada um. A gente optou por não ir pra esse lado de enredo crítico. A gente optou por um enredo que servisse para a escola e para o momento em que ela está passando. E que servisse para a confecção de um bom samba. Um desfile que fosse bom para a escola e um enredo que eu goste de fazer. A Viradouro me deu essa liberdade de escolher o enredo até porque, se fosse diferente, não adiantaria ter me contratado, não é?

Você acha que essas críticas políticas acrescentam ao Carnaval?

Não sei, mas eu acho que tudo no Carnaval acrescenta alguma coisa. É uma escolha de cada escola.

A bateria do Mestre Ciça sempre vem inovando. Em 2007, você botou a bateria numa alegoria, em 2008, você jogou bola de futebol para o público... O que a gente pode esperar esse ano?

Eu e Ciça temos um entrosamento muito grande. Vai ter novidade sim. Vão aconetecer umas coisas, mas a gente vai manter em segredo.

Qual a sua opinião sobre as musas e beldades no desfile? Prefere que elas estejam no chão ou nos carros-alegóricos?

Não tenho preferência. Faço esse Carnaval e qualquer um outro de acordo com a necessidade da escola. Se a escola achar que tem que ter musa, ótimo. Pra mim, é indiferente, até porque não me dá ponto.

O Laíla sempre alfinetou os seus carnavais na Unidos da Tijuca e hoje ele está na Unidos da Tijuca. Como você encara isso?

Os alfinetes existem e vão sempre existir. Só que o Laíla é um cara que tá velho e eu também tô velho. A gente amadureceu e hoje somos grandes amigos.

Como está sendo a recepção da escola com a sua volta à Viradouro?

Muito boa. A comunidade me abraça, eu tenho envolvimento com toda a escola muito bom. Estou feliz da vida.

Qual é o setor da escola que o público vai ter que prestar mais atenção?

Posso garantir que todos.

Qual é o seu maior desafio no Carnaval da Viradouro?

O desafio é o mesmo em qualquer escola: é a gente conseguir produzir um projeto que a gente concedeu. Estamos num ano de crise e a gente tem que pensar muito. A gente tem que trabalhar de acordo com a verba que a gente tem. Esse é o grande desafio.

Você admite que o Carnaval carioca está no seu pior momento?

Veja bem: o Carnaval carioca já passou por algumas dificuldades e está passando de novo. Está na hora de as escolas e a Liesa repensarem alguns valores e encontrarem um caminho. Eu tenho certeza de que eles vão fazer isso.

O atraso no repasse das verbas atrapalhou o seu trabalho de alguma forma?

O repasse atrasado sempre atrapalha porque o dinheiro chegando tarde a gente vai fazer as coisas tarde. Então o ideal era que o repasse foi feito antecipadamente.

É difícil fazer Carnaval em tempos de crise?

Tudo é difícil em tempos de crise. Não só fazer Carnaval.

Qual é a pior dor de cabeça para um carnavalesco?

É alguma coisa dar errada na hora.

Como você analisa o atual momento da Viradouro?

O melhor possível. A escola está num pique muito bom. Preparada e organizada. A escola promete fazer um grande desfile.

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