Regiane Alves: 'Não sei se existe homem ideal, não. Às vezes prefiro sapos'

Em conversa com a coluna, atriz comenta sua participação em 'O Tempo Não Para', fala da vida pessoal e de seu amor pela gastronomia

Por

Regiane Alves
Regiane Alves -

Aos 40 anos, Regiane Alves comemora sua volta efetiva às novelas, após três anos afastada das telinhas por conta da maternidade. Na pele da vilã Maria Carla, em 'O Tempo Não Para', ela conta que fazer uma personagem que fica a maior parte do tempo em cima do muro é desafiador. Mas ela sente que o desempenho de Maria Carla na trama caiu nas graças do público, de quem recebe muito carinho nas ruas. A atriz revela que não pensa em casar novamente, mas que não descarta encontrar um novo amor pra vida toda. Com contrato com a Globo até 2020, Regiane ainda tem a gastronomia como segunda fonte de renda. Ela é sócia de três restaurantes no Rio. Se tem uma palavra que a define, essa palavra é persistência.

Qual o maior desafio em fazer Maria Carla?

Ela não é má 100% e não é boa 100%. É o famoso personagem que fica em cima do muro. Sempre atenta a qualquer informação e sempre ao seu favor. É difícil fazer um papel que não é movido por algum sentimento. Na verdade, o sentimento dela é a ambição, relacionada com a frieza. Faço Maria Carla composta em cima de uma forma e não de um sentimento. Esse é o maior desafio.

Vocês duas se parecem?

Não, ainda bem. Não gostaria de ser como ela. Tenho outros valores que não estão ali na Maria Carla.

Como está a repercussão da personagem nas ruas?

Acho que a novela é um sucesso. Sinto isso porque viajei e nos aeroportos adultos e crianças vinham falar comigo. A novela tem um apelo infanto-juvenil. Ficavam super curiosas de me conhecerem. Tanto que meu filho João Gabriel brincou comigo: 'Nossa mamãe, eles estão te reconhecendo da novela'. Quando temos reconhecimento da rua realmente é sinal que a novela deu certo.

Como tem sido essa sua volta às novelas? Algo te surpreendeu?

Fiquei três anos fora da TV. Tive um filho, logo em seguida, engravidei do outro filho. Mas voltei na 'Lei do Amor', fiz 40 capítulos. Depois estive na série 'Cidade Proibida'. E tive o convite do Leo Nogueira para fazer novela. Acho bom, eu gosto de fazer novela. É um desafio. É um projeto árduo, de exercício diário, e é bom porque serve muito para a nossa evolução. Todo trabalho conhecemos novos amigos, novos parceiros e eu gosto do formato novela. Como também adoro fazer série, que é nossa nova tendência também.

No mundo em que as plataformas digitais dominam, se a Netflix te convidasse, toparia?

Não sou de negar trabalho, mas sou muito feliz onde estou. Tenho contrato com a TV Globo até 2020. A emissora está investindo bastante em séries. Tanto que temos a Globoplay. Muitos trabalhos são lançados lá. Mas, sim, se meu contrato acabasse com eles e se eu recebesse algum convite, com certeza. Confesso que tenho muita sorte ali na Globo porque sempre tive oportunidades de fazer grandes personagens.

Sonha casar de novo?

Não sonho casar de novo (risos). Já realizei. Acho que foi bom, foi ótimo. Tenho as relações sempre duradouras, de anos. Da última vez fiquei oito anos casada. Estou na minha fase atual solteira. Está bom do jeito que está. Mas claro que as coisas podem acontecer. Posso chegar na esquina e me apaixonar. E querer dividir minha vida outra vez. Mas no momento, minha vida está dedicada à novela e aos meus dois filhos.

Aos 40 anos, qual o homem ideal para você nessa sua fase atual?

Ah, não sei se existe homem ideal, não. Às vezes prefiro sapos. Encontrar algum sapo para tornar ele meu príncipe. Da forma que imagino, né? A gente não tem tantas expectativas mais aos 40 anos. Já conseguimos ver a pessoa como ela é e que se encaixe dentro no seu perfil. Mas com certeza acho que ter um pouco de humor, um pouco diversão, ganha pontos comigo, digamos assim.

Seus filhos te assistem? Qual a reação deles?

Pouco. Começa a novela e eles já pedem para ver outra coisa. Mostro uma ceninha, eles gostam, prestam atenção, mas no minuto seguinte pedem para ver outra coisa. Não estão na idade. Eles não têm o consumo do canal aberto.

Pensa em investir e se dedicar à gastronomia novamente?

Tenho um grupo de sócios que somos donos de três restaurantes: o Puro, no Jardim Botânico, o Massa, no Leblon, e temos uma participação na Ella Pizzaria, também no Jardim Botânico. Somos um grupo com mais de quarto anos. Na crise atual estar ainda com os restaurantes abertos, tudo funcionando legal, é uma vitória. Comer é um prazer, um prazer de sentar na mesa com os amigos e ter essa diversão. É uma coisa que me traz um sentimento muito bom. É um lugar que gosto de investir. Também tenho pessoas muito talentosas ao redor como o chef Pedro Siqueira, o ator Rafael Cardoso, a jornalista Sônia Bridi Cada um tem a sua profissão mas como hobby temos a gastronomia também. Não sei se investiria em outras oportunidades. Se eu gostar, acho que sim.

O que não pode faltar na sua despensa?

Gosto de frutas secas para viver na dieta, bem. Mas na hora do desespero da noite adoro ter uma caixa de Bis, algum chocolate, algum biscoito. Adoro aquele biscoito Passatempo.

Se não fosse atriz, o que gostaria de ter sido?

Difícil responder. Não consigo me ver em outra profissão. Minha mãe queria muito que fosse médica. É uma área que admiro muito mas realmente me vejo muito realizada. Poder viver e fazer o que escolhi para mim.

Consegue descrever o quanto você é vaidosa?

Minha vaidade sempre é relacionada a saúde. Se faço atividade física é para me manter bem, com energia. Assim como a massagem que é uma coisa que gosto também. Não tenho uma vaidade que extrapola ou que eu gaste muito com relação a isso. Ela é um pouco na medida. E às vezes sinto que poderia ser até um pouquinho mais.

O que te tira do sério?

É quando as pessoas são mal educadas com as outras. Ou quando as pessoas tiram vantagem. Isso é falta de respeito ao próximo.

Se defina e uma palavra e justifique.

Sou persistente em relação a minha carreira. Com 13 anos tinha o sonho de ser modelo,mas não tinha muita altura. Eu batalhei e fui garota de Santo André, do ABC. Sempre quis provar para os meus pais que é possível. Acho que isso faz toda a diferença para chegar até onde eu cheguei hoje. E ainda tenho que persistir. Poderia também falar que sou generosa. Sempre penso mais no outro do que em mim. É uma qualidade mas quase um defeito. Acabo esquecendo de mim.

Um arrependimento.

Tudo o que acontece, até o que é ruim, serve para a nossa evolução. Estamos em constante evolução na vida. Não seria a pessoa de hoje, aos 40, se não tivesse passado pelo que passei lá atrás. Não tenho arrependimento, ainda bem. Se tive já passou e consegui lidar bem com isso.

Teremos Regiane Alves no cinema?

Em janeiro estreia uma comédia com a Fabiana Karla que se chama Um Pitada de Sorte. Faço uma produtora de um programa de televisão poderosa. É bem divertido. Esse ano também tive oportunidade de fazer o filme sobre Divaldo Franco (médium). Fui convidada pelo próprio para fazer a Joanna de Ângelis. O filme será lançado no ano que vem.

O que ninguém sabe sobre você?

Que difícil! Alguém sempre vai saber tudo de mim. Meus amigos mais próximos sempre brincam porque sou muito engraçada. Um jeito de ser ou de levar a vida de uma forma divertida. Dizem que tenho que colocar isso no meu trabalho de alguma forma. Sei lá, falar o que? Que coleciono imãs de geladeira?

Já sofreu com a violência do Rio?

Todos nós sofremos de alguma forma. Nunca foi assaltada aqui, graças a Deus. Mas todas as pessoas ao meu redor já passaram por alguma coisa. Acho uma pena que a cidade onde escolhi, que sou apaixonada, esteja assim.

Como você se vê daqui a dez anos?

Me vejo nesse exato momento: dando uma entrevista para você, falando de algum personagem e de um próximo projeto que pode ser uma viagem com os meus filhos. Já que serão adolescentes e tenho muita vontade de mostrar o mundo para eles.

Galeria de Fotos

Regiane Alves Divulgação/Matheus Coutinho
Regiane Alves Divulgação/Matheus Coutinho

Comentários

Últimas de Leo Dias