Agatha Moreira: 'Nem de longe sou refém da vaidade'

Atriz comenta carreira, vida pessoal e planos de casar e ter filhos

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Agatha Moreira
Agatha Moreira -

Em 'Orgulho & Paixão', Agatha Moreira é a sonhadora Ema. Fora da TV, a atriz revela que é completamente diferente de sua personagem: "O mais interessante foi dar uma verdade a uma menina que pensa tão diferente de mim. Ela está no extremo oposto das minhas crenças. É realmente o exercício de me distanciar de mim mesma", contou. Em comum, somente a beleza. A boca carnuda, aliás, vem de berço. Nada de preenchimentos e afins. "As pessoas me conhecem há muito tempo e já entenderam que nasci assim", diverte-se.

Em que momento você se descobriu atriz?

Na verdade, durante o segundo grau, todos os adolescentes sofrem uma grande pressão para escolher a faculdade que irá cursar e uma grande pressão também para passar no vestibular. Eu não me permiti escolher uma profissão só por pressão ou porque era o certo a se fazer, decidi que aos 17 anos eu não tinha a menor obrigação de saber o que eu queria fazer para o resto da minha vida. Então resolvi fazer viagens modelando e disse que um dia eu iria encontrar a minha paixão profissional. Experimentei a carreira de modelo e fui muito feliz. Amadureci muito morando em lugares com culturas tão diferentes da minha. Até que um dia, fui assistir ao ensaio da peça de uns amigos e a diretora Neide Lira me convidou ao palco para alguns exercícios. Naquele momento eu tive certeza da minha escolha. Só me assustou o fato de isso nunca ter passado pela minha cabeça antes.

O que seus pais disseram quando você disse que queria ser artista?

Meus pais sempre me apoiaram nas minhas decisões profissionais. Sempre se esforçaram para que a preocupação natural de pai e mãe, não interferisse nas minhas escolhas.

Já pensou antes em fazer outra coisa da vida?

Não.

Você está torcendo para que Ema fique com quem?

Complicado opinar. Na verdade, o bom mesmo é ter o conflito, ver o público torcendo para um ou para outro. Estou amando a forma como a história dela está se desenhando. A vida perfeita da casamenteira de pernas pro ar. E ainda pega de surpresa por uma paixão. A história com Ernesto é cheia de surpresas e a faz experimentar coisas novas e até então inimagináveis. Quem não gostaria de viver isso? Mas Jorge é a figura do amor mais maduro, aquele que acalma o coração. Ai, ai, não sei te responder, (risos).

Você se identifica com a sua personagem em algo?

No começo da história, me despi de qualquer julgamento para construí-la. Eu, Agatha, não vejo no casamento a salvação para nada ou ninguém. Mas ela sim! Mas Ema mostrou ser forte diante uma situação adversa. Com doçura e firmeza. Acho que emprestei um pouco disso pra ela. Não importa o tamanho da tempestade, se tiver que atravessar, sigo em frente. Nem sempre é fácil. Mas se está diante de nós, temos braços para suportar.

Qual seu maior desafio nessa novela?

Novela de época por si só já nos desafia, no figurino, na forma de falar, gesticular. Mas acho que o mais interessante foi dar uma verdade a uma menina que pensa tão diferente de mim. Que, na verdade, está no extremo oposto das minhas crenças. É realmente o exercício de me distanciar de mim mesma. E isso ganha força com o figurino, a caracterização, os cenários.

Com tanto trabalho gravando, como fica a torcida na Copa do Mundo?

Hoje em dia é muito fácil estar conectado. A gente tem celular, internet... Um conta para o outro, corre e espia a tv. Mas confesso que a minha vida é quase 100% dedicada à Ema. Gravo bastante. Mas estou muito feliz com esse trabalho, a novela é linda, leve, colorida. Saborosa. E o elenco torna isso tudo ainda mais interessante.

Como costuma lidar com o assédio nas ruas?

Sou uma pessoa muito tranquila. Mesmo! Quem me conhece, sabe que é difícil me tirar do sério. Mas não refiro ao assédio não! As pessoas são muito respeitosas e carinhosas. E eu acho que o assédio é a consequência do meu trabalho. Sou atriz, faço novelas em um canal com um alcance gigantesco. Tenho respeito mútuo por essas pessoas que me acompanham. Se param para falar comigo, elogiar o trabalho, brincar sobre o que está rolando na novela, tenho que retribuir essa atenção da forma mais sincera possível e com gratidão.

Como é sua relação com os fãs?

Acho que falei um pouco na resposta acima. Mas tem uma coisa muito interessante na minha trajetória. Na época de Malhação muita gente passou a me conhecer e a acompanhar o meu trabalho. Fico muito feliz quando vejo que eles continuam comigo, trabalho a trabalho. Sou muito franca, mas consigo - sem fazer muito esforço - manter uma vida um pouco mais reservada. É parte da minha personalidade. E tudo bem. Mas sendo bem objetiva, sou muito grata aos fãs e sinto-me presenteada quando recebo gestos de carinho e afeto.

Costuma ser ciumenta?

Geralmente não. Mas isso está mais relacionado à nossa própria segurança, autoestima. Quando a gente está bagunçado por dentro, mesmo que o parceiro nos dê toda a segurança do mundo, não adianta. A pessoa vê coisa onde não existe! Mas tenho ciúmes dos meus amigos. Um pouquinho, (risos).

E seus namorados? Encaram numa boa suas cenas com beijos?

Estou solteira. Mas trabalho com arte e isso mexe com as pessoas. Se alguém, algum dia, sentir uma pontinha de 'ciúme' de alguma cena romântica, é sinal de que estou fazendo bem o meu trabalho como atriz.

Planos para ter filhos?

Penso em ter filhos, mas ainda não estão nos planos.

Pensa em casamento?

Aquele tradicional? Acho que não. Acho... Mas a gente pode mudar. Mas eu penso que uma vida a dois, dividir o mesmo teto e compartilhar planos, contas e uma rotina não depende de papeis ou uma cerimônia.

Hoje em dia as bocas volumosas fazem o maior sucesso. Muita gente faz preenchimento, mas a sua é natural. As pessoas te questionam muito se você fez algum procedimento na boca? Como você encara?

Não muito. Mas acho divertido. As pessoas já me conhecem há muito tempo e já entenderam que nasci assim.

É vaidosa?

Sou porque quero ter uma vida saudavel e dependo do meu corpo e do meu bem-estar para desempenhar o meu ofício. Cuidar da pele, da alimentação, do corpo... é natural, é parte da minha vida, da minha rotina. Mas nem de longe sou refém desta vaidade. Gosto de conforto no meu dia a dia, não cometeria excessos pela vaidade.

Se tivesse que escolher, qual parte do corpo você gostaria de mudar?

Difícil a gente se olhar no espelho e aprovar tudo o que vê. Difícil que isso aconteça sempre. A gente pensa que seria melhor aumentar aqui, diminuir ali... Mas isso não significa que não me aceite e que o fato de não estar desse ou daquele jeito me faz infeliz. Então, não mudaria nada. Trabalho para melhorar o que não gosto. Mas me aceito caso isso aconteça ou não.

Costuma ser desapegada do celular e redes sociais ou é daquelas que não vive sem?

Não sou nada apegada. Gosto, uso, mas não tenho vício ou dependência. A vida aqui fora é muito mais divertida. Mas adoro estar diretamente conectada com as pessoas que acompanham meu trabalho, ver a reação do público em relação às tramas e às personagens.

Agatha tem um sonho hoje? Qual?

Tenho muitos! Sonho conhecer lugares, viver personagens que me desafiem... Quero cuidar dos meus pais, conseguir viver da minha arte neste país em que as condições são tão adversas.

Como é para você olhar para trás e lembrar de onde você saiu e se dar conta de onde está agora?

É um caminho de trabalho e aprendizado. De disciplina e dedicação constantes. Fico feliz ao olhar para trás e ver meus trabalhos, minha trajetória, mas isso nem de londe me deixa num lugar de conforto. Significa que tenho muito a fazer, aprender.

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