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Mônica Salgado: 'Fofoca é uma coisa saborosa'

Repórter do 'Vídeo Show' comenta bastidores do programa, vida pessoal, carreira e muito mais

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Mônica Salgado
Mônica Salgado -

MÔNICA SALGADO faz bem o estilo de mulher versátil. Sem medo de se jogar em novos desafios, a jornalista que já foi a abelha rainha da conceituada revista 'Glamour', decidiu respirar novos ares e hoje integra o timaço do 'Vídeo Show'. A loira que deixa claro seu fascínio pela moda, faz a cobertura dos maiores eventos que reúnem celebridades pelo país. Mônica representa mesmo quem está em casa se perguntando algumas das maiores curiosidades sobre os famosos, como por exemplo, o que eles carregam dentro da bolsa, ou o que estão vestindo por baixo da roupa de gala. Nesta entrevista ela revela detalhes dos bastidores de seu trabalho, vida pessoal e ainda descreve sua relação com o mundo da moda.

Por que você decidiu abrir mão da sua carreira de sucesso como diretora de uma das maiores revistas do mundo?

Não foi exatamente abrir mão, porque minha história tá aí, tá marcado. Eu me orgulho de ter lançado um título para o Brasil. Então eu não enxergo dessa forma. O que eu acho é que depois de cinco anos na frente da Globo, cinco anos em frente a 'Glamour', e com as mudanças significativas que tem no mercado, eu senti que minha colaboração ali tinha se esgotado. Eu senti que o meu tempo disso tinha passado, eu não tinha muito para acrescentar, muita moda para inventar. Então eu achei que era o fim de um ciclo mesmo, na época eu estava com 37 anos, hoje eu estou com 38, eu senti o peso da idade, (risos). Eu falei: "gente eu sempre tive muita vontade de trabalhar com vídeo". Só que a minha carreira acabou indo por outro caminho. Na glamour eu tive a oportunidade também de experimentar muito a linguagem de vídeo. Mas na minha idade avançada, eu falei: "cara, é agora ou nunca". Então foram várias coisas em conjunto que resultou nesses finais.

Qual foi o maior desafio de fazer o vídeo show?

Olha, eu acho que o mal de estar aqui, honestamente, é você recomeçar numa carreira né? foram 8 anos, eu tinha uma carreira bem sucedida. O desafio é você realmente recomeçar com 37 anos. Depois de ter sido uma diretora chefe, entende? É você voltar e ser como um estagiário aprendiz numa mídia que você realmente tá engatinhando, então eu senti esse peso, essa mudança radical. Mas ao mesmo tempo, com uma mudança tão grande assim você se sente revigorada. Senti meu público se ampliar de uma forma muito curiosa. Eu falava para uma menina de 20 até 30 e poucos anos, estava acostumada a falar com esse público, e de repente meu público expandiu muito. Na tv aberta o céu é o limite né?

E não bateu aquela insegurança?

Acho que o medo faz parte da vida né? E quando a gente faz uma mudança vem um pouco de insegurança. Não posso, da minha parte, te dizer que não. Agora, o engraçado é que eu nunca achei que não fosse dar certo, porque quando eu saí revista, eu não tinha mais a globo na minha vida. Isso foi uma coisa que eu fui conquistando. Eu não troquei uma coisa por outra. Mas eu sentia a temperatura do mercado muito positiva nessa minha mudança do jornalismo pra um mercado mais de entretenimento. As pessoas me chamavam muito para dar palestras e eu não podia aceitar, porque jornalista não pode se envolver com marcas dessa forma. Então eu acho um medinho saudável aconteceu, uma insegurança saudável é esperada e acho que ela tem que acontecer para você não ficar arrogante.

Pensa em um dia voltar a trabalhar com revista?

Não, jamais! Não consigo me imaginar trabalhando pelas pregas de segunda a segunda. Porque assim você não para, não é? Nossa senhora, não troco a minha vida de jeito nenhum! Pela liberdade, pela flexibilidade a oportunidade de escolher os meus trabalhos, não volto mais. E também eu acho que as revistas estão passando por grande mudança. Cada ano muda um negócio. Quando eu comecei a trabalhar era diversidade e agora é um modelo totalmente transformado, então eu não me sinto mais tão atraída assim.

Você considera o vídeo show como um programa de fofoca ?

Não! Considero como um programa de entretenimento, porque na verdade o vídeo show é um programa sobre bastidores. Como se fossem os bastidores da TV Globo, então as pessoas vão acompanhar esse por trás das câmeras muito curioso. No papel estava assim: vamos mostrar as celebridades fora do Projac, então vamos abordá-las em outros momentos, porque a gente não quer fazer entrevista, a gente quer bater um papo. Então o que eu acho, respondendo de forma direta sua pergunta, é que meu trabalho no vídeo show fica entre o que o artista tem interesse de divulgar, porque ele faz isso hoje pelas redes sociais dele. Então o que ele quiser divulgar, se ele quer dizer pro mundo ele posta ali. E entre a fofoca, o que nossos concorrentes fazem, que é uma notícia quente... Eu acho que meu trabalho que eu faço no vídeo show ele está entre esses dois: notícias quentes e entre o que os artistas tem interesse de divulgar. Então é chegar num nível de intimidade sem causar desconforto. Não é fofoca porque a minha fonte está ali, se a gente tem informação é de uma fonte, é uma pessoa entrevistando e eu acho que a fofoca ela semeia num outro território.

E como surgiu esse convite pra você participar do programa?

Na verdade não foi convite. Eu tinha muita vontade de apresentar uma proposta que tentasse extrair essa curiosidade, essa coisa saborosa da vida do artista sem ser invasiva, de uma maneira respeitosa... De alguma forma a gente tem uma visão muito idealizada das celebridades, então eu queria saber o que que estava por trás porque eles são seres humanos. Então eu fiquei com isso na cabeça matutando e eu falei: quer saber? Eu ainda estava na glamour e eu vou para o vídeo show, porque é um programa muito consolidado, é um programa que está há anos aí e todo mundo tem uma boa memória do vídeo show. Eu mandei um WhatsApp para Cynthia (antiga diretora do programa), falei as minhas ideias, ela disse que era interessante e levou isso para diretor geral. Gravamos um piloto, ele curtiu. Gravamos mais 3 pilotos e eu fiquei lá 2 ou 3 meses e a gente assinou o contrato. Então não foi bem um convite.

Como você analisa o crescimento dos programas de fofoca vespertinos?

Ahh eu acho que é um horário que tem um público bastante variado. Li uma matéria sobre isso, não foi nem uma entrevista na Globo. Dona de casa que assiste essa hora TV em casa. Minha mãe por exemplo, é aposentada e eu acho que minha mãe super consome. Mas eu também li nessa matéria que com a crise, muitos homens ficaram desempregados e muitos estão em casa, e a audiência masculina também aumenta muito nesse horário. Agora, eu acho que a fofoca é uma coisa muito saborosa. É olhar pra vida do outro, se comparar com a vida do outro. Olhar para os famosos que você admira, que você vê na novela... Eu acho que isso é a coisa que tem apelo com todos os públicos. Eu não acho que é uma coincidência ou não, acho que o 'Fofocalizando' realmente ele ocupou uma fatia importante. E eu acho que o Léo faz isso de forma muito bem feita. Óbvio que a gente tem que fazer o que todo mundo tá fazendo. Acho importante acompanhar a concorrência, ver o que funciona ou não. Eu acho que o 'Fofocalizando' é um momento realmente feliz pra esse tipo de consumo, que a brasileira gosta porque o Brasil é um país que cresceu com a telenovela. Essa coisa de fofoca eu acho que, talvez, o Brasil só perca pra Inglaterra. Porque a Inglaterra é um país que consume muita fofoca da Família Real.

Você já deixou de noticiar alguma coisa porque algum famoso pediu? Isso tanto na revista como no vídeo show.

Não tem notícia quente na glamour, porque eram entrevistas mais longas. Então era: "ah, será que você pode suavizar aqui? Será que você pode omitir aquela parte?" Na glamour eu respondia pelo título, então era eu quem dizia: "esse tiro foi um tiro", ou "não, isso aí eu acho justo porque a gente tem a entrevista gravada". Na glamour a gente eu respondia pela marca, então tudo chegava até mim. E eu não respondo pelo vídeo show. Então eu entrego a minha matéria e nunca nesse um ano de programa ouvi um: "ahh não pública isso, não pública aquilo" "não coloca no ar isso, não coloca no ar aquilo".

Por que você escolheu ser jornalista? Nunca pensou em ser outra coisa?

Eu sempre gostei de me comunicar, eu sempre gostei de ser da minha família a criança que dá um show no Natal, e meu filho está indo pelo mesmo caminho. Então escrever sempre foi uma paixão que eu descobri antes. Então trabalhar em revista feminina foi meu primeiro sonho profissional. Aí a tv veio depois né? Eu sempre trabalhei com impresso, e eu atingi o topo ali que eu não imaginava. Aí depois que eu atingi o topo eu falei: "quero mais e a gente tem uma vida só."

Sonha em entrevistar alguém específico que você ainda não teve a oportunidade de fazer?

Eu tenho muita vontade de fazer os grandes medalhões da TV. São os meus amores como Fernando Montenegro, Lima Duarte, Tony Ramos... Esses caras que a gente cresceu vendo na TV. O Faustão eu acho que ele é um personagem fascinante porque ele é um dos mais longebres da TV e ele é muito discreto com relação a vida social. Então imagina fazer a 'Selfie da Verdade' com o Faustão? Saber que o Faustão atrasa imposto de renda... Imagina saber o que tem na cabeceira do Faustão? Aí gente eu me amarro! Quero ser convidada para a pista do Faustão, ninguém nunca me convidou, meu sonho. Até agora eu só entrevistei o Antônio Fagundes.

E como está seu status de relacionamento? Tem filhos?

Casadíssima, há 20 anos já com meu marido. Eu o conheci com 18 anos. Nem sei o que é a vida não sendo com ele ao lado sabe? Tenho o Bernardo de 7 anos e tenho 2 cachorrinhas, então tenho já uma prole. Três crianças em casa.

Como é a sua relação com mundo fashion? Gosta de acompanhar a moda?

Eu não largo, é uma paixão! Lia todas as revistas de moda quando eu trabalhava na Glamour. Agora que eu não trabalho, sinto mais necessidade de ler porque eu sinto que eu não posso ficar pra trás dos outros estilistas. Sempre fui muito ligada em moda, comecei desde cedo nessa área no jornalismo feminino. Sempre moda, beleza e comportamento feminino. Mas moda sempre foi uma grande paixão, eu sempre acompanhei de muito perto, porque eu sempre fui muito estudiosa com a história da moda, adoro contar a história do mundo pelo viés da moda. A moda conta tudo né? Então eu sou fascinada, eu continuo muito próxima, até porque eu faço muitas palestras em shopping, pra marcas de moda, é o meu DNA. Eu construí minha carreira em cima disso e não dá pra largar.

Como é sua relação com as redes sociais?

Eu fui para a África com meu marido faz uns dois meses, e a gente ficou 10 dias. E lá, durante 5 dias a gente ficou com zero acesso à internet. E eu tinha até que um ressentimento, juro. Porque as pessoas falam "ahh é positivo." Não é possível, não venha me falar que é positivo. Eu respeito quem acha positivo. Eu consigo super relaxar curtindo meu Instagram, entendeu? Eu não sou dessas. Meu conceito de paz é com celular e Wi-Fi na mão, risos.

E o que não pode faltar na geladeira da Monica?

Aí meus Deus! Olha, eu sou 8 ou 80, porque eu sou libriana. Fruta é uma coisa que eu amo. Mas ao mesmo tempo tem que ter um doce na minha casa. Pode ser um pudim, um mousse, brigadeiro de colher geladinho, então esses dois extremos vivem dentro de mim.

Então você não é paranoica com essa coisa de dieta?

Zero, eu queria até ser um pouco mais. Eu gosto de malhar, mas comer e beber pra mim é um prazer. Eu tinha que ser um pouco mais comprometida. Eu não tenho limites para nada. Se eu começo a comer, não paro mais. Então pra mim é não comer, ou comer até explodir.

Como costuma ser sua rotina administrando o quadro que você tem no 'Vídeo Show'?

No vídeo show eu tenho um grande ponto a favor, que é uma agenda flexível. Quando eu vou pro Rio eu posso agilizar 4 ou 5 gravações, e eu fico com uma gaveta interessante. Quando eu estou gravando em São Paulo, eu também tenho toda essa flexibilidade. Claro que tem coisas que fogem, tipo festa que é uma coisa que eu adoro. Nas festas eu já sei exatamente o que eu quero extrair. Eu não quero só saber: "o que você tá vestindo?" Eu quero saber "você tá usando cinta? Você tá sem calcinha? O que tem dentro da sua bolsa? Vamos abrir pra ver? você é aquelas que fecha pista?" Então normalmente sou eu que faço meus roteiros, as perguntas sou eu que preparo já sabendo qual é o propósito do quadro.

O que você mais gosta de fazer nas horas vagas?

Eu gosto de tomar vinho e sair pra jantar. Eu gosto de rolar na cama com meu filho, de ginástica e de malhar. Eu como de forma muito indisciplinada, mas eu gosto muito de malhar. Um dia que eu não malho é um dia que eu fico com muita energia acumulada. Eu tô ficando velha, tô gostando muito de ficar em casa.

Uma mania sua?

Eu só durmo com meia nos pés. Já comprei meia no aeroporto porque viajei e esqueci de levar. Uma vez precisei passar uma noite fora, e eu não encontrava meia no aeroporto. Fui numa loja do Flamengo e comprei um meião do Flamengo, risos. Patético!

Qual é a artista mais cafona e a mais elegante na sua concepção?

Para mim, ser elegante não é só no jeito de ser, nas modas. Então pra mim a mais elegante é a Fernanda Montenegro. Por causa da postura dela, da simpatia dela, o jeito que ela trata as pessoas. E ela está sempre vestida, de maneira muito clássica, muito elegante, sempre com terninho. Ela está sempre muito alinhada. Agora elegância não é a palavra pra definir o estilo da Sabrina Sato e o da Thaila Ayala, por exemplo. Eu acho que elas são ousadas, corajosas e elas são mais fashions que elegantes. Porque a Fernanda ela tem uma zona de conforto que só faz variações do mesmo tema. A fashion de vez enquanto ela erra. A Sabrina já me falou uma frase uma vez que eu levei pra vida: "eu prefiro ficar esquisita, do que estar previsível." Isso é uma qualidade que eu admiro demais nela. E na Thaila também, porque cada aparição dela é uma surpresa. A Meryl Streep, o gosto dela pra moda é inversamente proporcional ao talento dela. Você vê nitidamente que ela não liga para o que veste. Ela vai para a entrega do 'Oscar' com praticamente um gloss na boca e um cabelo que parece que ela levantou assim. Pra mim é nítido que ela não curte, ela não gosta nem se envolve, mas quem sou eu pra julgar? Mas esteticamente, ainda que eu ache ela muito elegante, eu acho que ela é contrário do 'Diabo Veste Prada', filme em que ela interpretou no uma mulher elegante. Na vida ela não dá a mínima pra moda, tanto que ela está sempre simples. O talento dela é inquestionável, mas eu acho que ela necessita de um reajuste de moda.

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