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Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

O lado pouco conhecido do Monumento aos Pracinhas

Inaugurado em 1960, espaço conta a trajetória dos soldados que lutaram a Segunda Guerra Mundial e homenageia aqueles que morreram em solo europeu

Por Thiago Gomide

Monumento dos Pracinhas reúne história, desafios e uma vista deslumbrante
Monumento dos Pracinhas reúne história, desafios e uma vista deslumbrante -
O monumento é grandioso. E é para ser mesmo: ali está a memória dos mais de 25 mil homens que, mesmo sem as condições precisas, foram lutar contra os alemães na Itália, em 1944.

Há quem tire foto. Há quem tire selfie. Há quem contemple sem nem pestanejar.

Nesse primeiro contato, para captar os detalhes, é necessário olhar para o alto. À distância, sugere ser uma reverência.

Em 180 graus, vistos da bandeira do Brasil, encontra-se um pórtico de 31 metros, uma escultura de metal homenageando a Força Aérea Brasileira e três esculturas representando as forças armadas do nosso país.

Monumento aos Pracinhas é como ficou conhecido. O nome oficial é Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.

Por falar neles, há um mausoléu contendo os restos mortais de 428 soldados enterrados no cemitério brasileiro de Pistóia, na Itália. Há ainda um jazigo, na parte externa, lembrando o soldado desconhecido.

Saindo do senso comum, a coluna irá indicar três cantinhos que precisam ser mais conhecidos nesse lugar que ainda nos brinda com uma vista deslumbrante da Baía de Guanabara:

1. Mural de Azulejos

A partir de 1942, mais de trinta navios brasileiros foram atacados, na nossa costa, por submarinos alemães super modernos. Milhares de civis e militares perderam suas vidas.

Pensando nisso, Anísio Medeiros, que explico melhor daqui a pouco, compôs um painel de azulejos retratando os fatos e prestando as devidas honrarias.


2. Mural "Guerra e Paz"
Se permita contemplar a obra “Guerra e Paz”, dentro do museu. É um enorme mosaico com as emoções pertinentes a um contato com os campos de batalha, com a distância da família, com o reencontro.
Traços de Anísio Medeiros. 

3. Museu
É um espaço que, entre tantas memórias instigantes, conta com roupas, armas e mantimentos dos pracinhas e de alemães. Mais de 14 mil alemães se renderam aos brasileiros.
Muitos civis italianos, com fome, recorriam aos pracinhas para terem o que comer. 

A entrada é grátis. Funciona todos os dias, de 9hs às 17hs.

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Vídeo no Facebook

Fiz um vídeo contando e mostrando vários detalhes. Clique aqui pra assistir. 

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Anísio Medeiros

Menos valorizado do que merecia, o piauiense Anísio Medeiros é também um dos grandes nomes da cenografia do teatro e do cinema brasileiro.

Participou, por exemplo, da criação cenográfica de Macunaíma, clássico de Mário de Andrade, filmado por Joaquim Pedro.

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