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Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Fichinha pra pagar o busão?

Conheça os detalhes dessa época marcante para o transporte público carioca

Por Thiago Gomide

Fichas já foram usadas para pagar corridas de ônibus
Fichas já foram usadas para pagar corridas de ônibus -
Quem lembra?
Por décadas, a forma de pagar as múltiplas linhas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro era com fichas.
Fichas de acrílico, de galalite, de ferro, de plástico. Diferentes materiais, formatos e cores.
E o esquema de funcionamento era bem curioso.
Você entrava no ônibus pela parte de trás e anunciava para o trocador em que ponto saltaria.
Se fosse no primeiro ponto, por exemplo, você pagava um valor menor e recebia uma ficha determinada.
Caso fosse no quarto, um preço específico para aquele trecho, e ficha de cor distinta. E assim sucessivamente, até a última parada.
Seguidora do Tá na História no Facebook e leitora dessa coluna, Olivanda Fonseca recorda:“Cada trajeto uma cor. O trocador colocava várias na mão e vinha fazendo um barulhinho. Comprávamos de acordo onde íamos saltar”.
Ou seja, festa de fichinhas.
Ao lado do motorista, um recipiente que lembra um lampião.
O leitor Cleber Rodrigues puxou pela memória: “Eu lembro que tinha um recipiente, espécie de um cofre na frente do ônibus, junto à escada de saída, para depositarmos as fichas ao descer do ônibus”.
O motorista dava aquela olhada pra conferir se estava compatível com o trajeto. Viagem que seguia.
Não precisa nem dizer que nem todo mundo colocava a fichinha no tal recipiente. Na pressa, alguns esqueciam de depositar. Outros faziam questão de levar pra casa.
Os motivos são variados: colecionar, colocar no aro de bicicleta, dar para o filho brincar e até completar o time de botão.
Desde o final da década de 1970, as fichas foram sendo trocadas por desinteressantes tickets.
O leitor Fábio GB sentenciou: “Terminou por volta de 1982, com a Viação Tijuca na linha 233 (Rodoviária x B. da Tijuca). Os fiscais recolhiam as fichas logo depois do bairro Muda (serra)”.
A coluna não conseguiu uma informação oficial de quando foi exatamente o ponto final dessa história. Se alguém souber, só entrar em contato.
No site de compras e vendas Mercado Livre, é possível encontrar diferentes fichas sendo vendidas por preços salgados. As consideradas relíquias chegam a custar 150 reais.
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Era comum em partes do trajeto os fiscais aparecerem.
No post que a coluna fez no Facebook, a leitora Fabiana Carvalho escreveu: “Lembro aqui no Rio de Janeiro os ônibus 233 e 234, que faziam o trajeto Rodoviária Novo Rio – Novo Leblon. O fiscal entrava na Usina e recolhia, pois até a Usina era um valor e depois outro”.
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A coluna agradece ao repórter fotográfico Alberto Jacob Filho por ter mostrado sua vasta coleção.

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