Com privatização, governo resolverá problemas dos Correios?

Presidente Bolsonaro volta a sinalizar que empresa é prioridade na lista das que passarão para a iniciativa privada

Por Chico Alves

2017-09-28 - AGÊNCIA DE NOTîCIA - PARCEIRO - Movimentação de funcionários na sede dos Correios na Cidade Nova, região central do Rio.
2017-09-28 - AGÊNCIA DE NOTîCIA - PARCEIRO - Movimentação de funcionários na sede dos Correios na Cidade Nova, região central do Rio. -
O presidente Jair Bolsonaro voltou a sinalizar, na sexta-feira, que por sua vontade os Correios serão privatizados o mais rápido possível. Segundo ele, o general Floriano Peixoto foi indicado à presidência da empresa para resgatar a confiança do mercado em sua tradicional marca. “Ele está fazendo bem o trabalho de recuperar a credibilidade que tinham antes do PT”, afirmou. Bolsonaro e Peixoto tiveram uma reunião para discutir a desestatização da empresa responsável por envios e entregas de correspondências no Brasil.
A tarefa não é fácil. Os Correios, que já estiveram no topo da lista de empresas com maior credibilidade entre os brasileiros, agora são vistos pelos clientes com desconfiança. Levantamento divulgado pelo site Reclame Aqui aponta aumento de 14% nas reclamações referentes a atraso na entrega de encomendas pelos Correios em 2018.
A estatal, que era um exemplo na logística, passou a ser encarada como território da bagunça. Um bom exemplo pode ser verificado na região central do Rio de Janeiro: quem circula pela Cidade Nova certamente já identificou um grande aumento do tráfego na área. Para surpresa dos motoristas que passam pela Avenida Presidente Vargas e pela Rua Afonso Cavalcante, as últimas semanas foram de retenções que antes não eram comuns, ainda mais no mês de julho, quando tanta gente está em férias. São grandes os problemas de tráfego nessas vias principais devido ao intenso movimento de caminhões dos Correios que, com suas manobras, param o trânsito.
Usuários identificam a origem da confusão no fechamento do centro de triagem de Nova Iguaçu, ocorrido no início de julho. Antes, o centro de triagem de Benfica já havia diminuído drasticamente a sua operação, para se concentrar em distribuição de encomendas. Essas certamente são as causas dos problemas causados no trânsito da Cidade Nova.
Segundo Fagner Lopes, da diretoria do sindicato dos trabalhadores dos Correios, esse tipo de mudança não passa pelos funcionários. "A empresa é independente quanto à operação, não discutimos com a direção esse tipo de decisão", explica. Lopes disse que muitos problemas recentes são causados pelo sucateamento e pelos seguidos planos de demissão voluntária. "Hoje, um funcionário faz o trabalho que antes era da responsabilidade de três ou quatro. Isso faz a qualidade do serviço cair".
A equação a ser resolvida nesse processo de privatização é a seguinte: com presença em mais de 5 mil municípios brasileiros, só 300 unidades dão lucro. Como formatar essa privatização? Oferecer à iniciativa privada as agências lucrativas e deixar com o governo as milhares deficitárias? Incluir as unidades que dão prejuízo no pacote?
Um abacaxi nada fácil de descascar.

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