Rafael Zulu: 'Tenho orgulho das minhas conquistas. Elas não vieram do nada'

Ator, que é o entrevistado deste domingo, celebra boa fase na carreira com o personagem Cido, em 'O Outro Lado do Paraíso'

Por O Dia

Rafael Zulu
Rafael Zulu - Alex Santana/Divulgação

Dono de um sorriso largo e de um carisma indiscutível, Rafael Zulu é daquelas pessoas que você quer ser amiga assim que conhece. E também, não é para menos, o ator é gente de primeira qualidade. Sincero, falante, sorridente e carismático, ele vem arrancando suspiros da mulherada, dos homens e boas críticas do público em geral como o motorista Cido, em 'O Outro Lado do Paraíso'. Por conta do personagem, Zulu tem ouvido poucas e boas nas ruas. "As mulheres pedem para eu ser o motorista delas", conta. O ator faz parte de um seleto grupo de amigos que inclui Neymar, Huck, Thiaguinho, Gabriel Medina e Bruninho, do vôlei. "A gente fala sobre tudo, tenta alertar das furadas, incentivar o trabalho, dividir problemas e celebrar vitórias. São amigos como os outros que tenho sem ser famosos. Confira a entrevista completa:

 

Não é a primeira vez que você faz um homossexual na TV, mas parece que dessa vez o burburinho tem sido bem maior. Ao que você acha que se deve isso?
Acredito que tem dois fatores que contribuem para esse burburinho maior. Tititi foi um novela de sucesso, mas era no horário das sete e meu personagem ia mais para o humor. Sabíamos que ele era homossexual, mas não acompanhávamos essa vida dele. A atual trama é das 9, um horário de maior audiência, e graças a Deus, temos tidos bons números. Somado a isso, o público vem acompanhando essa história do Cido, todo um desenvolvimento, o que acho muito legal. Vimos ali o Samuel sofrendo por causa da orientação sexual dele, vimos o início desse relacionamento dele com o Cido, a vida do Cido com a noiva. Trouxemos um tema que é muito comum: essa dificuldade de aceitação, o fato de você poder gostar de homem e mulher, como é o Cido... Acho que por isso tem um burburinho maior. Acompanhamos a evolução dessa história do personagem.

Você se inspirou em alguém pra fazer o Cido?
Não me inspirei em ninguém. Fizemos uma preparação para a novela e o texto do Walcyr foi minha base para a construção do Cido. Essa é uma história muito real e comum. Muita gente tem medo de se assumir, de viver o que realmente sente e eu acho uma pena. É claro que, durante a vida, você conhece ou sabe de alguns casos assim, mas não tive uma pessoa específica como inspiração.

Como você soube que faria esse personagem. Te pegou de surpresa?
Não fiquei surpreso por essa questão da sexualidade dele. Fiquei surpreso por ter o Eriberto como par, que é um amigo já meu. Fazíamos teatro no mesmo local. Ele a peça dele, eu, a minha. E acabamos virando amigos. Fiquei muito feliz por saber que era um personagem interessante, com um tema importante para discussão e que tinha a intuição de que poderia capturar a atenção do público. A surpresa foi muito mais pelo conjunto do trabalho do que essa questão do papel.

Qual é a maior dificuldade em interpretar o Cido?
Acredito que tenha sido o fato de trazer essa verdade dele. Cido gosta de homem, mas também gosta de mulher. E ponto. Ele nunca se interessou com o Samuel só por causa de dinheiro. E deixar isso claro era importante. E mais do que isso, não queríamos uma caricatura. Queríamos mostrar dois homens que se relacionam, que se descobrem apaixonados, a fim um do outro, de uma forma natural, assim como é na vida. Minha preocupação era mostrar que existia uma afeto desde o início, assim como ele também gostava da noiva.

E a melhor parte?
A melhor parte tem sido esse elenco. Estamos numa fase agora muito divertida. Além de ter meu amigo Eriberto em cena, tenho o privilégio de contracenar com a dona Ana Lúcia Torre, que eu admiro demais. Tem a Ellen Rocche, que é uma grande parceira e está ótima como a Suzy. E também agora com a chegada da Luciana Fernandes, que faz a Irena, atriz jovem e muito talentosa!Temos um núcleo muito coeso e divertido. Tem sido um trabalho feliz esse.

Você está bem mais definido. Foi uma exigência para o papel? O que tem feito para o manter o corpo?
Não chegou a ser uma exigência do papel. Acho que tem muito mais a ver com o meu estilo de vida. Sou adepto de esportes, gosto de ter o meu corpo em movimento e, com isso, você vai melhorando os seus resultados. Somado a isso, tenho uma alimentação regrada, saudável. Tudo vai contribuindo para o corpo. E eu achava que o Cido tinha que ter um corpo mais enxuto, posso dizer assim. Então só continuei a fazer o que já fazia, mas com um pouco mais dedicação.

Como está a repercussão nas ruas?
Muito divertida. Pessoal tem gostado da novela e do nosso núcleo. Inicialmente tinha essa dúvida se ele estava só com o Samuel por interesse, daí passou para a torcida para que eles se assumissem como casal e, agora, querem saber como será essa vida a dois deles ali na casa da mãe do Samuel (risos). Tem de tudo um pouco. Tem gente que pede para eu ser o motorista delas (gargalhadas). Criatividade é o que não falta nas abordagens. O que mais tem me chamado a atenção é que recebo muito mais abordagem de homens que estão assistindo a novela do que de mulheres... grata surpresa!

Além de ator você é empresário. No que você está metido atualmente?
Tenho um espírito empreendedor mesmo. Isso desde cedo. Gosto de trabalhar, de me movimentar... não sou o tipo de cara que espera as coisas acontecerem. Eu vou lá atrás e faço acontecer (risos). Essa postura combina comigo. Tento caminhar esse lado empresário com o meu universo artístico, puxando para o entretenimento, como uma casa de shows, produção teatral. Fora desse eixo, uma foodbike de tapiocas. Gosto de trabalhar e tenho um gosto por esse lado também da administração.

Carnaval está chegando e você ficou solteiro recentemente. Você é mais pegador ou mais namorador?
Eu sou muito na minha. Gosto de namorar, mas acredito que as coisas acontecem de uma forma natural, espontânea. Na vida não temos nada tão traçado. Quando a gente vê se surpreende. E isso é o mais legal. Estou aberto para namoro, mas não é o foco. Acho que quando se é mais novo, você tem essa coisa do pegador. Com o tempo, vai ficando mais seletivo, vai vendo o que pode ser bom, o que não é. E eu deixo as coisas acontecerem no tempo delas.

As mulheres te dão mais cantadas por conta do Ciro?
Novela das 9 tem muita exposição, é impressionante como ela tem uma repercussão. Não vou mentir, recebo sim (risos). Fãs vem com tudo, aproveitam uma selfie para fazer uma graça e jogar no ar uma cantada. Mas eu levo numa boa. Acho que tem muito mais a ver com o carinho e admiração pelo trabalho do que outra coisa.

E os homens?
Também recebo. Mas é muito mais pela internet do que pessoalmente, engraçado isso, né? E quando acontece também na rua, eu levo numa boa. Não teria porquê ser diferente. É sinal de que o Cido está agradando, que estou fazendo o meu trabalho direito e fico muito feliz. Mas todas as abordagens que eu recebo são muito respeitosas, tanto de homens quanto de mulheres. E esse respeito é fundamental. Vejo muito mais como um carinho mesmo.

Voltando a falar sobre sua veia empresarial, porque você decidiu abraçar essa outra profissão?
Eu sou ator. Essa é a profissão que eu amo e quero seguir nela até morrer. Só que tenho essa veia empresarial forte, de olhar uma oportunidade e ver que aquilo pode ser algo bom. Não tenho medo de trabalho e não fujo dele. Como tinha isso dentro de mim, resolvi explorar esse lado empreendedor. E sempre consegui meio que conciliar com esse tema das artes. E eu fico feliz de ver uma ideia se concretizando, ganhando forma e conquistando os clientes.

E tem te dado um bom retorno (financeiramente falando)?
O maior erro de um empreendedor é esse: achar que vai investir e ter o retorno imediatamente. Tudo é planejamento, construção. Não vou dizer que a coisa está ruim (risos). Não está. Já passei dessa fase só de investir e hoje já consigo ter um lucro. Mas eu aproveito o lucro de um e invisto em outro (risos). Sou empresário, gosto disso, de empreender, de criar trabalho, de movimentar mesmo.

Você é uma das pessoas com mais amigos no meio artístico que eu conheço, perdendo só para o David Brazil. Quem são seus melhores amigos atualmente?
(gargalhadas) Adoro o David. Mas eu tenho realmente muitos amigos. Tenho um amigo de muito anos que considero muito, que viu, viveu e vive tudo comigo até hoje... o Raphael Cobrão. Ao longo da vida fui conhecendo outros especiais e importantes... Thiaguinho, Bruninho, Ney, Medina, Lu Huck, a diretoria (risos).

Rafael Zulu - Alex Santana/Divulgação

Falando ainda sobre esse ciclo de amizade. Vocês corrigem um ao outro, dão conselho sobre trabalho, amor, como é?
Amigo é isso, né?! Você fala sobre tudo, tenta alertar das furadas, incentivar o trabalho, dividir problemas e celebrar vitórias. São amigos como os outros que tenho sem ser famosos.

Me conta alguma coisa que ninguém sabe sobre você?
Pergunta difícil! Não sou um cara de esconder coisas (risos). Eu sou bem isso o que mostra nas entrevistas, no contato do meu dia a dia. Se alguém se aproxima, gosto de puxar papo, conversar... Não sei se tenho um segredo (gargalhadas). Mas vou pensar. Se lembrar de algo, conto numa próxima, pode ser?

Você é bem inquieto. O que mais você ainda tem vontade de fazer?
Eu quero continuar trabalhando, fazendo novos personagens, me sentindo desafiado com a minha profissão. Investindo talvez em novos negócios e vendo os negócios antigos crescendo. Eu vivo muito o meu dia a dia. Muito o presente. Por isso é que eu aproveito tanto. Por saber que o hoje é único. O que vivo hoje não viverei amanhã. Estou muito feliz com essa fase atual e quero seguir prosperando. Ah, e esse ano entro num mercado que já almejo algum tempo que é o da construção civil!

Como você se vê daqui a cinco anos?
Quero ver a minha filha crescer, daqui a cinco, ela estará com 15, já será uma moça. Sou um pai apaixonado. E gosto de acompanhar esse crescimento dela, saber quem é essa menina que ela está se tornando. Daqui a cinco anos me vejo como um pai bem babão e talvez ciumento (risos). Quero estar trabalhando, fazendo TV, encontrando desafios através de personagens. E estar feliz. Tenho um dom para felicidade. Eu sou um cara feliz. Nada veio do nada na minha vida, tenho orgulho de cada conquista e aproveito cada uma delas.

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Rafael Zulu Alex Santana/Divulgação
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