'Carnaval é um ato político'

Por O Dia

Globo/Marília Cabral
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Antes da eleição, a gente viu muitas escolas apoiando a candidatura do Marcelo Crivella. Mas quando ele foi eleito, diminuiu a verba do Carnaval. Esse apoio foi um erro?

Foi um erro! Eles foram enganados. Na plenária, ele disse que não só não iria mexer, como iria aumentar. Ele cantou o samba do Salgueiro! Tem a filmagem de todo mundo cantando junto.

Mas não era previsível isso gente? Pelo amor de Deus!

O circo político é completamente volúvel. É capaz de até no ano que vem haver aliados que trocam de lado. É previsível, mas também é do jogo dos políticos!

Mas como eles conseguiram enganar os 'capones' do bicho?

Sim! Gente muito experiente! Eles são gatos escaldadíssimos! E até mesmo os gatos escaldadíssimos caíram! O que mostra que ninguém é o dono da verdade! Ou seja: tem que estar vivendo para levar rasteira e aprender!

As pessoas criticaram os votos do Chiquinho da Mangueira a favor do Jorge Picciani. Não é ruim a gente ter um Carnaval tão envolvido com a política?

Carnaval é um ato político. São as comunidades descendo de sua zona de conforto e indo para o Centro da cidade para ter voz. Através dessa voz, sempre disseram o que achavam do país, de suas histórias e das pessoas com quem se relacionavam. Não é político no sentido de partidário. É um ato de defender a manifestação, a liberdade do povo e a vontade do povo de celebrar. Ruim é partidarizar e transformar em críticas a partidos. A crítica é para a não manutenção do movimento cultural que caracteriza o povo carioca, que é o desfile da escola de samba.

Quanto de você tem ali nos bastidores do seu quadro no 'RJTV'? Você apura, produz, sugere ou só apresenta?

Como frequento muito os barracões, converso demais com os carnavalescos e entendo o conceito deles para o desfile, informo para a equipe como é tudo isso. Eles então escrevem o roteiro do quadro.

Você sempre está com looks pomposos. Você mesmo os produz?

Eu entendo o conceito da direção e crio as roupas. Esse é o quinto ano e a quinta coleção de roupas. Como esse ano tem uma parte que é entrevista com o carnavalesco, com personalidades ligadas ao enredo, criei 13 ternos brilhosos com a ajuda do Babado da Folia, meio mestre de cerimônias, inspirada no 'Cabaret', do Bob Fosse. Para essa parte da galhofa na rua, do sambão, a ideia foi usar os protótipos das fantasias das alas criadas pelos carnavalescos. Escolhemos uma para cada escola. Na Ilha, sou a feijoada. Na Portela, um imigrante judeu de 1640. Na Imperatriz, a ânfora (vaso antigo de origem grega) do Museu Nacional. Então tem um lado elegante e um lado engraçado. Quando eu vou para a quadra, também vou com o terno brilhante.

Como é fazer um quadro de carnaval com os barracões vazios?

Esse ano estou achando as escolas um pouco paradas. Nessa data, já era para ter três carros feitos, indo para o quarto. A parte de figurinos está andando porque tiraram dos barracões e jogaram para ateliês de fora. Acho que vai ser um Carnaval humilde visualmente. Mas me colocando no lugar das escolas, sei que foi o que deu para fazer. Será um Carnaval mais reduzido.

A Mangueira, que é a escola que critica esse Carnaval com poucos recursos, é a mais adiantada. A Mangueira é a mais rica?

A Mangueira é uma das mais adiantadas e está em pé de igualdade com três ou quatro. Está com um Carnaval mais crítico, está fazendo um Carnaval de sobras, de retalhos. É um Carnaval muito bonito, já fui ver, e tem um tom crítico muito grande, de que o dinheiro não é decisivo para a folia. Mangueira afirma que falta dinheiro, mas não falta disposição para o embate.

O Carnaval carioca corre o risco de acabar?

Historicamente vimos que muitos movimentos de Carnaval acabaram. A folia não acaba, porque ela é transgressora e não precisa de nada para acontecer. Já o desfile das escolas de samba é uma negociação entre as comunidades e o poder público. Para as escolas de samba sobreviverem, é preciso dois aspectos: manter as comunidades e não ser uma voz de reprodução da ideologia oficial. Tem que transgredir.

São quantos anos respirando Carnaval?

Estreei em 94, com Margaret Mee. Nunca tinha feito nem bloco de sujo. Sou realmente um folião que ascende à categoria de carnavalesco. Depois virei um comentarista e um jornalista de barracão.

Não é um meio fácil de se trabalhar. Tem muita coisa envolvida, muito ego... Alguma vez quis parar de trabalhar com isso?

Várias vezes pensei em sair do desfile. O que mais me desespera é que o carnavalesco não decide o financeiro, você não sabe quanto está indo para um efeito, para uma roupa, para uma contratação. Como tenho ansiedade administrativa, ficava desesperado.

Seu quadro está de volta em breve na televisão. Como faz para sempre fazer algo diferente?

Sempre conversamos muito na redação do 'RJTV', uma equipe grande, de 30 pessoas. São muitas ideias, sobretudo descobrir qual o conceito, onde temos que jogar luz. Esse ano é a valorização do povo, a valorização da velha guarda, das comunidades das escolas de samba. A partir daí você arruma o conceito do quadro. Aí vai para a rua explicar o enredo das escolas para o povão, e perguntar para esse povão qual a importância da escola de samba na vida dele. O quadro também vai mostrar o emocional do carioca em relação a sua escola de samba. O quadro tem muito de mim junto com a equipe. Tenho esse histórico de, há 30 anos, estar na porta das escolas, com a velha guarda, a bateria, as baianas, até 6h da manhã. Esse é o meu perfil. A partir dessa criatura falante, o jornalismo entra.

Li você dizer que o Carnaval é homofóbico, racista e machista. Por quê?

Carnaval não está em uma redoma, em uma bolha asséptica hospitalar. Ele está dentro de uma sociedade. E como essa sociedade é homofóbica, racista e machista, o Carnaval dentro dela reproduz. É só ver quantos presidentes negros, gays assumidos e mulheres tem. Tinha que ter cota para gay, negro e mulher nas direções, simples. Como no resto da sociedade, é velado, não é declarado. Todo mundo diz que não tem, mas tem sim.

O que é melhor: ser enredista, carnavalesco ou comentarista/apresentador de Carnaval?

O melhor é ser comentarista e apresentador de Carnaval porque isso é uma vitrine. Precisa de alguém que ame as escolas de samba e as comunidades como eu amo. Quem tem esse amor, precisa ter as informações de como se faz o Carnaval e as dificuldades dentro do barracão, com eu tenho. Além disso, precisa ter uma voz de folião, de pessoa que vibre e se divirta. Além de estudar, tenho uma alma purpurinada. Tenho o estudo e a vivência. Cheguei onde queria chegar. Queria virar uma voz do Carnaval brasileiro e virei, por minhas qualidades e meu estudo.

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